segunda-feira, 21 de junho de 2010

Sofreguidão

Com tez morena e suada te apresentaste ...
Colado a mim com tesão ...
Roçaste o sexo em minha nádegas e logo ...
... te senti em prontidão ....
Relego-te para segundo plano ...
Pranteio mais uma vez a dor sofrida ...
Quero e devo esquecer porque me afogo ...
mas voltas sempre a despertar-me ...
A Sofreguidão com que me toldas o espírito ...
O desejo com que me colhes a alma ...
A dor do momento esquecido ...
Cobre-me os ombros o homem orgulhoso ...
Quero-te ! Não ! Jamais!  diria eu ...
E eis que a sofreguidão volta ...
a toldar-me os poros cheios de tesão ...
Homem feito menino em prantos em tempos derramados ...
Mais não te vejo como um Adamastor que me castiga contra as bermas ...
Que me fustiga com as águas salgadas ...
Que me queima com o desnível do horizonte ...
Que me massacra com o desprezo ...
Quiz eu olvidar tudo e tento ...
não mais desejar esta sofreguidão ...
que me consome em pecados sem fundamentos ...
sem razão .... sem merecimento ...

3 comentários:

  1. Bela poesia, fortes sentimentos,
    embora sinto aqui solidão!

    Beijos

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  2. Sempre contra a razão...é o desejo que comanda. A ausência que não se explica e o silêncio que se respeita. Gostei ;) beijo

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